ASSEMBLÉIA PAROQUIAL

30/11/2014

 

"DOMINGO DIA 30 DE NOVEMBRO DE 2014, PRIMEIRO DOMINGO DO ADVENTO, NA PARTE DA MANHÃ, REALIZOU-SE A ASSEMBLÉIA PAROQUIAL. FORAM CINCO MOMENTOS:

1º MOMENTO - CELEBRAÇÃO EUCARÍSTICA



                 

2º MOMENTO - CAFÉ DE MANHÃ COMUNITÁRIO

3º MOMENTO - REFLEXÃO DO PADRE CHICO SOBRE O TEMA 'TENTAÇÃO'

REFLEXÃO ASSEMBLÉIA PAROQUIAL - 30 DE NOVEMBRO DE 2014.

JAMIE HARKINS: "J'avais dessiné sur le sable."

"Eu tinha desenhado na areia."

Artista neozelandês, criando desenhos em 3D, quer dizer criando ambientes tridimensionais na areia da praia. Areia da praia que ele transforma em qualquer cenário.

     

É impressionante a paciência e o pensamento de quem faz tanto esforço por algo que nasce com prazo de validade estipulado. Um prazo bastante curto por sinal...

     

Fazer arte na areia da praia é algo que muitos entre nós já tentamos, seja um castelo ou uma declaração 'padrão' de amor. E o fizemos conscientes de que era só uma questão de tempo para que a maré apagasse nossas marcas...

   

SIMBOLISMO

3D (tridimensional): eu faço o desenho da minha vida no meio de três relações fundamentais: os outros - a natureza - Deus

   

TRANSFORMAR a areia da praia: minha vida caminha numa constante transformação:

(1) ela é sujeita às mudanças em que estão mergulhados o mundo e a sociedade;

(2) eu sou dotado de liberdade e eu tenho livre arbítrio para mudar o rumo dela e também para escolher os valores em que eu a quero fundamentar;

(3) Deus me chama, sem cessar, para mudar, para corrigir, para consertar, para melhorar, as minhas atitudes e a minha maneira de me relacionar com Ele, com os outros e com a natureza.

   

CURTO PRAZO DE VALIDADE: a minha vida é finita, ela pode durar poucos anos ou um pouco mais, mas não passa de um século - a qualquer hora a maré da morte aparece para apagá-la!

Hoje estamos aqui reunidos para realizar uma Assembléia Paroquial que representa apenas um tijolinho a ser utilizado numa grande construção, sob forma de mutirão, daquilo que será a Assembléia Arquidiocesana de Pastoral, marcada para domingo dia 13 de setembro de 2015.

Nos dias 11 e 12 de setembro passados, portanto um ano antes, Dom Moacir nos dirigiu duas cartas:

1) Convocação da 14ª Assembléia Arquidiocesana de Pastoral, dirigida aos padres, diáconos, religioso(a)s, leigo(a)s e comunidades da nossa Igreja Particular de RP

2) Texto provocativo: neste a gente encontra o seguinte:

"O primeiro passo para que haja uma CONVERSÃO pastoral, é a CONVERSÃO pessoal que brota do encontro com Cristo, Ele que nos oferece a possibilidade de TRANSFORMAR a nossa vida".

Por isso, nós que representamos neste momento a comunidade paroquial Santa Teresinha do Menino Jesus, pequena parcela da vasta Arquidiocese de RP, nos encontramos como corresponsáveis pelo bom êxito da Assembléia Geral que ocorrerá então no 2º semestre do ano que vem.

Para subsidiar os trabalhos em que todos os presentes aqui participarão daqui a pouco, a minha contribuição inicial diante dos apelos às conversões pastoral e pessoal, pretende tornar-se UMA REFLEXÃO BÍBLICA SOBRE A PRESENÇA MARCANTE DAS GRANDES TENTAÇÕES QUE APARECEM NA ESTRADA DAS NOSSAS VIDAS.

A gente poderia, para começar, fazer referência àquilo que o livro do Gênesis descreve como a exposição constante da condição humana diante da tentação. Aliás, sem ela a liberdade nossa careceria de sentido e de mérito. Na verdade, a árvore do conhecimento do bem e do mal simboliza a realidade como ela de fato existe, levando o ser humano como criatura, a cada dia que passa, a ser obrigada a fazer sua escolha entre, de um lado, o que o seu Criador deseja, sonha e propõe, e do outro lado, o contrário, geralmente provocado pela autossuficiência, pela teimosia, pelo orgulho, pela soberba - mencionando apenas alguns dos pecados capitais.

Além do mais, nunca nos esqueçamos de que a serpente simboliza as forças destrutivas que vivem em nós e as demais igualmente negativas e nocivas que nos cercam do lado de fora, tentando-nos para que nos afastemos da ordem divina!

A gente poderia, em seguida, contemplar a história de Abraão, o primeiro homem do povo eleito, que também se viu diante da tentação. Depois do chamado divino e da promessa, Deus submete à prova a fé desse velho homem. O episódio do sacrifício do seu querido Isaac mostra a perplexidade do ser humano diante da tentação e as diversas forças interiores em conflito. Abraão converteu-se no patriarca da fé porque soube esperar contra toda esperança e soube, ao mesmo tempo, manter-se fiel na prova!

Entretanto, a tentação mostra toda a sua vigência não apenas e somente em histórias pessoais e particulares, mas especialmente e de forma declarada na caminhada COLETIVA do povo eleito.

Depois da partida do Egito, há aquela famosa e bem conhecida etapa de quarenta anos no DESERTO. Esse é o símbolo vivo da prova pelo qual todo um povo tinha de passar para chegar à Terra Prometida. No entanto, a cada passo o povo se desalenta, querendo voltar para trás, preferindo a antiga servidão à inevitável luta pela liberdade. É a inibição dominada pelo medo, que impede a gente e os povos de alcançarem as novas metas de desenvolvimento e da libertação plena e irrestrita.

Muito importante observarmos: O que aconteceu ao povo em suas origens iria se repetir ao longo de toda a sua história.

Os historiadores israelitas sintetizaram, de fato, esse desenvolvimento em uma série de provas de Deus e nas respostas contraditórias do povo e, sobretudo, de seus chefes religiosos e políticos. Diante da dureza de coração do povo, o Exílio constitui uma nova prova do DESERTO. Os hebreus se vêem novamente interpelado por circunstâncias que podem fazê-los voltar a Iahweh. Porém, dessa vez somente um pequeno resto perseverou em meio à defecção geral. E esse foi o resultado da prova divina do Exílio: somente um grupo minoritário se integrou como comunidade espiritual, num espírito de pobreza e de confiança segura no Deus salvador. A velha prova da fé tornou-se agora prova da esperança, pois é 'o resto' que permanece aberto para a chegada da salvação futura.

Surge dentro desse contexto Cristo, o Messias que representando os que conseguiram permanecer fiéis, acabará abraçando em seu amor absolutamente generoso também os demais.

E não podia ser diferente... ! Para deixar bem claro, uma vez por todas, que a sua encarnação foi 100% REAL, Ele passa igualmente por experiências semelhantes e parecidas, sendo submetido à tentação antes de iniciar o anúncio do Reino.

A cena das tentações de Jesus foi construída artificialmente para refletir a luta interior da liberdade humana.

Portanto, é de suma importância nós entendermos que as tentações de Jesus resumem toda a batalha do ser humano contra os poderes do mal.

(1) A primeira tentação, o pedido para converter as pedras em pão, representava uma fuga da dolorosa missão do Messias e a busca do fácil caminho da glória, com a intervenção prodigiosa de Deus.

Atualizando:

+ a difícil missão seja hoje representada, entre outras, pela pastoral carcerária, pela pastoral da mulher marginalizada, pela pastoral dos migrantes, pela pastoral das crianças, pela atuação da 'comissão pastoral da terra' (= CPT), pela pastoral da sobriedade, pela pastoral de solidariedade a serviço da Amazônia...

+ o fácil caminho da glória seja hoje representado pelos movimentos de louvor e de trabalhos apostólicos "para dentro".

Jesus era o Messias justamente porque rejeitava a ambição de bens e riqueza, e ao mesmo tempo evitava o sucesso 'barato'. Ao longo da história, a igreja sentiu essa mesma tentação e não há como negar que por diversas vezes sucumbiu, usando e aceitando riquezas materiais a pretexto de que fossem destinadas à assistência aos pobres, entretanto em certas circunstâncias somente acumulando seu próprio patrimônio, seu poder e sua influência política.

Na verdade, essa primeira tentação todo homem sofre ao ter de optar entre, por um lado, a renúncia a muitos bens terrenos para encontrar a Deus e, por outro lado, a adoração das riquezas, sob diversos pretextos, abandonando o Evangelho. Viver é sentir-se constantemente entre dois abismos. E o heroísmo evangélico é a opção pela Verdade e pelo Bem, acima de qualquer interesse econômico.

(2) A segunda tentação repete o antagonismo, a oposição agora entre a vanglória e Deus. Aceitando o entusiasmo das massas (- fazendo hoje referência, por exemplo, ao fenômeno de Padre Marcelo e de outros tantos padres cantores na mídia, sendo imitados também em nível local por alguns jovens colegas -) que o proclamariam como milagreiro ou como líder político, Jesus estaria diante de um espetacular triunfo popular, descendo do templo como se descesse do céu. Mas consciente de sua missão, Jesus renuncia a essa glória pelo bem da causa do povo, que é a causa de Deus.

A Igreja também sofreu essa tentação ao longo dos séculos, às vezes cedendo mais ou menos parcialmente a ela, a pretexto de honrar a Deus com templos suntuosos e magníficos ornamentos, que no fundo serviam de proveito e honra aos próprios eclesiásticos. Sem sombra de dúvida o exemplo mais significativo de tudo isso é o próprio Vaticano.

E essa é a tentação de tantos homens e de tantas mulheres no universo da imprensa, da arte, da política e da ciência, dos ambientes acadêmicos, dos micro e grandes empresários, que se prostituem à fama, à glória, à soberba, à ostentação, deixando assim de lado os interesses genuínos e as necessidades básicas do povo.

(3) A forma mais alucinante é certamente representada pela terceira tentação, que consiste na ambição de poder. No alto de um monte, Jesus é colocado diante de todos os reinos que fazem parte da humanidade e que estão implantados no planeta Terra (no mundo contemporâneo seria o G7). A ele é oferecido o domínio sobre tudo isso, desde que abandone sua missão evangélica de 'Servo de Iahweh'.

O coração do ser humano sente-se irresistivelmente atraído pelo que o poder oferece: estar acima dos outros e poder comandá-los e dirigi-los.

Jesus, entretanto, vence a mais encantadora das tentações e permanece fiel à causa de Deus.

Já a Igreja, em certas ocasiões, de alguma forma não conseguiu resistir à ânsia do poder eclesiástico, a pretexto de agir em nome de Deus e de ser portadora da verdade para o povo. E com o poder vinham a postura triunfal (na segunda metade do século passado ilustrada, por exemplo, pelo pacto que fez com o Partido Político da Democracia Cristã em países como a Alemanha, a Itália e a Bélgica) e vinha ao mesmo tempo o esquecimento dos homens e do próprio Deus.

Nos dias atuais assistimos a uma generalizada luta nesse sentido nos municípios, nas assembleias legislativas dos Estados, e também nos clubes, nos sindicatos, em certos condomínios e associações de classe profissional... Uma luta árdua travada pela conquista do poder, não para servir ao bem comum, mas sim para utilizar as suas vantagens, daí a corrupção institucionalizada. Isso lamentavelmente representa uma traição à causa de Deus que se une prioritariamente e estritamente à causa dos humildes.

CONCLUINDO:

Assim como a própria Igreja, cada um de nós constitui um campo de tentação. Interiormente a cumplicidade para como o pecado tenta sem cessar o ser humano; externamente, o mundo amplia seus laços que encurralam o indivíduo em forças diabólicas, na maioria das vezes relacionadas ao capitalismo selvagem ou a um comunismo de estado sem dimensão participativa ou democrática.

O Deus de Jesus Cristo não é um mágico, não é um interventor que golpeia as realidades terrenas querendo resolver as nossas coisas. Ao contrário, Ele é um Deus que permite e que respeita como absolutamente autônoma essa luta derivando da liberdade com que Ele nos presenteou no sexto dia da criação. Por isso ela é essencial ao desenvolvimento da humanidade e de cada ser humano, fundamental para que a gente se desenvolva e cresça!

A prova com a qual se defrontam hoje os cristãos e as comunidades cristãs é a prova constituída pela injustiça de nossas estruturas sociais.

Compactuar com elas e participar de seus benefícios à custa da miséria e do sofrimento de uma maioria absoluta de homens, mulheres, crianças, jovens, idosos, gente com deficiência, presentes aliás em proporções diferenciadas nos cinco continentes, significa sucumbir à tentação.

E, ao contrário, rejeitar a situação marcada por tanta desigualdade e crueldade, rejeitar a lei do conforto profundamente mal repartido, rejeitar o sistema predominantemente manipulado em dimensão globalizado pelo endeusamento do lucro, significa colocar-se ao lado do Evangelho.

Trata-se, em pleno sentido, de uma tentação constante, que nos ameaça sem cessar.

Mas é através dessa prova ininterrupta que o cristão e a comunidade cristã hão de se desenvolver, em tensão permanente no sentido do Reino, ao qual só chegarão pessoas que forçarem as suas portas, recordando o evangelista Mateus, capítulo 11 - versículos de 9 a 15.

Padre Chico, pároco.

4º MOMENTO - TRABALHO EM SUBGRUPOS, RESPONDENDO AS PERGUNTAS PARA A ASSEMBLÉIA ARQUIDIOCESANA.

                     

5º MOMENTO - UM BREVE PLENÁRIO. APRESENTAMOS AQUI A CONTRIBUIÇÃO DO NOSSO PÁROCO NO TERCEIRO MOMENTO.