Mensagem: Vence a indiferença e conquista a paz
Mensagem do Papa Francisco para a Jornada da Paz
01/01/2016

Deus não é indiferente, importa-lhe a humanidade!

Deus não a abandona!

Com esta minha profunda convicção, quero, no início do novo ano, formular votos de paz e bênçãos abundantes, sob o signo da esperança, para o futuro de cada homem e mulher, de cada família, povo e nação do mundo, dos chefes de Estado e de governo e dos responsáveis das religiões.

Com efeito, não perdemos a esperança de que o ano de 2016 nos veja a todos firme e confiadamente empenhados, a realizar a justiça e a trabalhar pela paz.

Na verdade, este é dom de Deus e trabalho dos homens.

A paz é dom de Deus, mas confiado a todos os homens e a todas as mulheres, que são chamados a realizá-lo.

Embora este ano que se finda tenha sido caracterizado, do princípio ao fim, por guerras e atos terroristas, com as suas trágicas conseqüências de seqüestros de pessoas, perseguições por motivos étnicos ou religiosos, prevaricações, multiplicando-se cruelmente em muitas regiões do mundo, a ponto de assumir os contornos daquela que se poderia chamar uma ‘terceira guerra mundial por pedaços’, todavia alguns acontecimentos dos últimos anos e também neste ano incitam-me, com o novo ano em vista, a renovar a exortação a  não perder  a esperança na capacidade que o homem tem, com a graça de Deus, de superar o mal, não se rendendo à resignação nem à indiferença.

Tais acontecimentos representam a capacidade de a humanidade agir solidariamente perante as situações críticas, superando os interesses individualistas, a apatia e a indiferença!

Dentro tais acontecimentos, quero recordar o esforço feito para favorecer o encontro dos líderes mundiais algumas semanas atrás em Paris, a fim de se procurar novos caminhos para enfrentar as alterações climáticas e salvaguardar o bem-estar da terra, a nossa casa comum. E isto remete para mais dois acontecimentos anteriores: a cúpula de Adis-Abeba para arrecadação de fundos destinados ao desenvolvimento sustentável do mundo; e a adoção, por parte das Nações Unidas, da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável que visa assegurar, até ao referido ano, uma existência mais digna para todos, sobretudo para as populações pobres da terra.

O ano de 2015 foi um ano especial também para a igreja, nomeadamente porque registrou o cinqüentenário da publicação dos dois mais importantes documentos do Concílio Vaticano II que exprimem, de forma muito eloqüente, o sentido de solidariedade da Igreja com o mundo. O papa João XXIII, no início do Concílio, quis escancarar as janelas da Igreja, para que houvesse, entre ela e o mundo, uma comunicação mais aberta.

Especialmente o documento ‘Gaudium et Spes’, sobre as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, representa uma expressão emblemática da nova relação de diálogo e convivência que a Igreja pretendia introduzir no interior da humanidade.

Numa mesma perspectiva, com o Jubileu da Misericórdia, quero convidar os cristãos a rezar e trabalhar para que cada um possa maturar um coração humilde e compassivo, capaz de anunciar e testemunhar a misericórdia, de “perdoar e dar”, de abrir-se “àqueles que vivem nas mais variadas periferias existenciais, que muitas vezes o mundo contemporâneo cria de forma dramática”, sem cair “na indiferença que humilha, na habituação que anestesia o espírito e impede de descobrir a novidade, no cinismo que destrói”.

É por isso mesmo que no liminar dum novo ano, quero convidar a todos para que reconheçam este fato a fim de se vencer a indiferença e conquistar a paz.

Também os Estados são chamados a cumprir gestos concretos, atos corajosos a bem das pessoas mais frágeis da sociedade, como os reclusos, os migrantes, os desempregados e os doentes.

E, estendendo o olhar para além das próprias fronteiras, os líderes são chamados a renovar as suas relações com os outros povos, permitindo uma efetiva participação e inclusão na vida da comunidade internacional, para que se realize a fraternidade dentro da família das nações.

Confio estas considerações, juntamente com os melhores votos para o novo ano, à intercessão de Maria Santíssima, Mãe solicita pelas necessidades da humanidade, para que nos obtenha de seu Filho Jesus, Príncipe da Paz, a satisfação das nossas súplicas e a benção do nosso compromisso diário por um mundo fraterno e solidário.

                                     
(Apresentada na hora da HOMILIA – missa de PASSAGEM DE ANO,
Quinta-feira dia 31/12/15 às 20h00)